Yokozawa Takafumi no Baii


Yokozawa Takafumi no Baii

Capítulo 1

Mini glossário:

*Izakaya - é um bar japonês, que também serve alimentos para acompanhar as bebidas.

*Sake - é uma bebida fermentada tradicional do Japão, fabricada pela fermentação do arroz.

*Hokuriku sake - ou sake de Hokuriku...Hokuriku é uma zona do Japão aonde se faz um bom sake.

*Tsundere - normalmente é uma pessoa que se mostra rude ou agressiva,
mas que no entanto tem um lado amável. (yandere é o contrário)

*Dere - é algo como amoroso.



“O primeiro amor, jamais perdura.”

Ao menos sabia, que o outro não tinha sentimentos românticos por ele.
Demonstrando as suas fraquezas, aproveitando-se dele...ele simplesmente
dependia dele como um amigo próximo. Mas a razão pela qual não podia
deixar esses sentimentos...era porque tinha um pouco de esperança...Ele não
tinha de ser o seu amante, apenas bastava que fosse a pessoa mais
importante na sua vida. Isso era mais do que suficiente...se apenas pudesse estar próximo dele.

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Podia ouvir a chuva cair lá fora. Esta caía ruidosamente contra o solo, e o
som parecia ressoar favoravelmente de acordo, com a sua própria irritação.
A chuva caía durante um bom bocado esta noite, e nem assim a água toda do
exterior, poderia limpar a escuridão que consumia o seu coração.
Olhou para a televisão no Izakaya*, aonde entrou para resguardar-se do
temporal e ouviu o aviso de trovoada. Inicialmente tinha planeado ír embora,
assim que a chuva cessasse, mas esta tinha começado a cair desde de manhã
cedo e não mostrava indícios de ír parar...compreendeu então que já tinha
perdido há algum tempo a oportunidade de sair do bar a são e salvo. Ou
talvez apenas fosse uma desculpa para si mesmo, pois na realidade queria
evitar ao quarto cheio de recordações dele, o mais que pudesse.
E não era tão mau esvaziar copos de sake* no meio da sua falta de
esperança, mas agora ele podia sentir um agitado mal-estar na boca e no
estômago...surpreendentemente, não havia maneira de sentir os efeitos, depois de beber tanto.

Mas positivamente, não tinha dor de cabeça. Ele franziu as sobrancelhas em
desconformidade e tentou voltar-se, notando em seguida uma estranha sensação na sua bochecha.
“Aonde estou?”

Levantando-se lentamente do suave e primaveril colchão, Yokozawa
Takafumi franziu as suas sobrancelhas em jeito de confusão, observando em
seu redor...era um quarto que jamais havia visto. Não era a sua casa, nem de
nenhum dos seus amigos, a sua estética aparentava ser de um hotel de

negócios e não tinha recordação de procurar esse hotel. A única coisa de
que se recordava era de ter estado no Izakaya, porque a chuva não parava...

“Não consigo lembrar-me...”

Tentando procurar através das suas confusas memórias, o único de que se
recordava, era das suas palavras do seu próprio estado miserável e que
estava a beber em demasia. De qualquer modo, necessitada de superar a
ressaca e rápido, ou não seria capaz de usar a sua cabeça em nada.
Jamais tinha estado tão bêbado na sua vida; depois de tudo havia sempre
sido o seu trabalho, controlar uma certa pessoa que gostava de colocar-se a
ele próprio como lixo. Nunca imaginou que um dia despertaria de manhã e não fosse capaz de se lembrar de nada.

Sacudiu a cabeça fortemente e recuperou um pouco os sentidos,
pestanejando repetidas vezes...e massageou as suas pálpebras adormecidas
com os seus dedos, rispidamente. Foi nesse momento que sentiu algo

estranho, entre o pouco que podia ver.

“.........”

Embora não se lembrasse de se ter despido, por alguma razão estava
completamente nu. Dificilmente adormecia despido para começar e

curiosamente levantou o cobertor.

“!?”

Descobrindo que inclusivamente estava sem roupa interior, começou-se a
sentir-se nervoso, e rapidamente cobriu as suas partes baixas.
Talvez, por estar bêbado se tenha despido, devido ao seu próprio calor,
lançando as suas roupas. Dizendo isto, andou pelo quarto, mas não era capaz de encontrar uma meia, quanto mais o seu fato.

Encontrou apenas os seus boxer’s que tinham ido para debaixo da cama,
esticou então um dos seus braços para os apanhar, e deslizou-os perante os
cobertores, suspirando de alívio. Havia uma grande diferença em não vestir
nada ou vestir pelo menos alguma coisa, conseguindo acalmar a sua mente.

Também notou outra coisa enquanto explorava o quarto...o som do chuveiro
na casa de banho. Aparentemente ele tinha confundido o som com o da
chuva nos seus sonhos. Mas isso tornava o problema maior...pois se o
chuveiro estava a funcionar, significava que alguém o estava a utilizar.
Nunca na sua vida, tinha conhecido um hotel como este. Muito pelo contrário,
pois ele era completamente contra de ter relações com estranhos. Mas,
parando para pensar, no estado em que se encontrava na noite anterior, teve que admitir que não seria difícil se tivesse sido tão descuidado... Ao sentar-
se enquanto se preocupava em demasia, o som da água a cair deteve-se abruptamente.
“.........!”

Manteve a sua respiração e preparou-se para enfrentar qualquer mulher que
fosse sair do banho. Mas, ele não sabia o porquê, de ela ter vindo aqui com
ele. Mas mesmo assim, tinha que ser responsável como homem e aceitar as consequências dos seus actos.

Yokozawa recorreu a uma dezena de simulações na sua cabeça, mas os seus
pensamentos foram interrompidos, quando a pessoa que saiu do banho, vestindo um robe era na realidade um homem.
“Ah, já acordaste! Como estás da ressaca?”

O homem que secava o seu cabelo selvagem que gotejava com a água do
banho, e falava com indiferença, era nada mais nada menos que o editor
chefe da revista Japun da Marukawa Shoten, Kirishima Zen.






Com as sobrancelhas perfeitamente balanceadas e ordenadas, os seus olhos
amendoados e lábios finos, e pela expressão era evidente que não acabava

de despertar.

Yokozawa deu o melhor de si, para forçar a sua mente em branco e para
recuperar a compostura. Libertou então numa voz trémula:

“O qu-que estás a fazer aqui...?”

Não pode encaixar na sua mente, porque de todos os lugares, ele estava ali,
naquele quarto de hotel, completamente nu e á frente de alguém com quem
dificilmente falava fora do trabalho. Kirishima, manteve o seu olhar frio,

perante o aturdido Yokozawa.

“O quê? Estás a dizer-me que não te lembras da noite passada? Olha

em redor, e tenho a certeza de que saberás.”

“Olhar em redor?”

De alguma maneira, a sua ira perante a maneira arrogante com que Kirishima
se dirigia a ele, com aqueles lábios finos, despertou-o. Mas nesse momento
não tinha liberdade para fazer algo. Se isto fosse uma manga, ou uma série
televisiva...isto seria rapidamente concluído com uma trama em que duas
pessoas se embebedam e acabam por dormir juntas...mas isso normalmente
inclui um homem e uma mulher, e neste caso são dois homens.
Mas quando queria rejeitar essa ideia, totalmente irracional, os seus
poderes de persuasão foram dizimados, apenas pelo facto de que não se

podia lembrar de nada.

Na mente de Yokozawa, ele sempre achou que não era gay, ainda que a
pessoa, por quem tivesse mantido um amor unilateral todos esses anos,
fosse um homem. Compreendeu então, que a barreira por detrás da
homossexualidade para ele, era substancialmente mais baixa do que uma

pessoa completamente heterossexual.

Agora a sua maior prioridade era recordar, o que tinha feito no dia
anterior...em todo ele! Recorreu às suas confusas memórias e recuou no

tempo, até ao momento em que deixou o escritório.

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Ontem tinha sido sem dúvida o pior dia da sua vida.

Depois de parar definitivamente os sentimentos que tinha trazido com ele
durante anos, e sem poder dar-se por vencido...entrou mal-humorado num

Izakaya, a caminho da sua casa. Bebeu e bebeu, pensando pouco no
sabor...esperando simplesmente ficar bêbado, e agora conseguiu-se lembrar

que Kirishima tinha entrado no mesmo bar.
“Kirishima-san...o que fazes aqui?”

“Estava á procura de um sítio para me proteger da chuva e comer
alguma coisa enquanto isso...mas, ei...! Não achas que estás a beber em

demasia?”

“É claro que não! Porque estás sozin-...senta-te aqui. Ei, podes dar-me

outro destes? Ou melhor...dois!”

Eles raramente bebiam juntos, mesmo que se encontrassem fora do
trabalho...por isso, talvez se sentisse só e necessitasse de companhia. Sem
saber, o que pensava quando o fez, Kirishima sentou-se e disfrutou dessa

“penosa festa” com Yokozawa.

Lembrou-se de que tinham conversado sobre as boas vendas que tinham tido
os novos autores e queixou-se que as cópias não eram suficientemente
rápidas...conversaram sobre um autor que estava deprimido e outras
pequenas coisas que discordava, que normalmente ocultava e que expôs
desta forma, livremente. Mas aparte disso...não se conseguia lembrar de

nada mais...

“Não te lembras, mesmo de nada?”

Levantou a sua cabeça, surpreendido com o comentário, Yokozawa deu-se
conta de que Kirishima já se havia vestido enquanto ele estava absorvido nos
seus pensamentos. Por último este deslizou o relógio no seu braço.
Observando a serena silhueta ante ele, fez-o ficar consciente de si mesmo.
Estava despenteado, com a barba por fazer á dias...e ainda o facto de que estava completamente nu.

“Entendo...não é de estranhar se eu estava assim tão bêbado.”
Ao dar essa desculpa, Kirishima lançou um sugestivo olhar e troçou usando as palavras da noite anterior:

“Agora é que te dás conta? Depois de me dizeres “é claro que não”,
quando eu perguntei se não estavas a beber demasiado.”

“Isso foi...”

Recordava-se vagamente de ter dito algo similar. Era inútil escutar as
reflexões de um bêbado. Mesmo assim, Yokozawa não podia contestar.
“Bom...suponho que os homens de negócios ocasionalmente têm dias, nos
quais, apenas querem se embebedar, mas trazer os outros para isso é

um incomodo...tenta ser mais cuidadoso no futuro.”
“Já sei disso, mesmo que não me dissesses...muito obrigado.”
“Obedece ao conselho dos mais velhos, sem ripostar.”

“O qu-que estás a fazer!?”

Kirishima bagunçava o já despenteado cabelo de Yokozawa, fortemente, e no
momento em que afastou a sua mão, veio á sua mente, que já tinha sentido a
sensação daqueles dedos entrelaçados no seu cabelo. Não era a primeira vez
que era tocado com aqueles dedos, ao ponto de se lembrar da sensação. As
recordações do corpo, demonstravam que havia interagido com aquela

pessoa.

Ele não conseguia aceitar, mas provavelmente tinham feito “aquilo”.
Yokozawa sentiu que a temperatura do seu corpo aumentava gradualmente

enquanto formulava a sua própria conclusão.

Era demasiado aterrador, chegar tão longe e imaginar cada detalhe do que
se teria passado...não importava como olhasse, não era uma boa imagem.
“Porque paraste de repente? Começaste a lembrar-te do que aconteceu

ontem á noite, talvez?”

Não havia sentido chorar, sobre o leite derramado. O que o preocupava
neste momento era saber se tinha ficado em cima...ou em baixo.
Ele não sentia desconforto ou alguma sensação estranha, por isso, não
deviam ter chegado até ao final. Ele não se conseguia imaginar a se envolver
com Kirishima e muito menos imaginar-se a ser empurrado contra a cama.
E mais do que isso, era impactante pensar que Kirishima virava “para esse
lado”. Eles não eram próximos, assim que não conhecia a sua vida privada,
mas deu-se conta de que ele usava um anel no seu dedo anelar...Yokozawa,
assumiu assim, que ele era casado. Então, realmente tinham feito algo?

“Posso...perguntar-te algo?”

“Depende da pergunta”

Dando-se conta de que se não lhe perguntasse directamente, jamais teria

uma resposta digna...então foi directo ao ponto.

“És gay?”
“Tu não és?”

“É claro que não!” - A resposta negativa, reflectia-se devido ao facto de
nunca se ter considerado a si mesmo gay, antes. Depois de tudo, ele apenas
se apaixonou por uma pessoa do mesmo sexo. Por isso não sabia se gostava

de homens em geral, ou apenas do Takano.

Quando se conheceram, Yokozawa tinha uma namorada. Mas, ele sempre se
sentia mais comodo a passar tempo com o Takano, do que com ela...então a
relação passou a ser de pequenos encontros e mais tarde acabaram de modo
natural. Desde então, nunca mais teve uma relação estável. Outras pessoas
apaixonaram-se por ele, mas ele nunca fez algum movimento de própria

vontade.

“Porque me respondes assim? Ontem á noite estavas-te a queixar que
um homem te tinha partido o coração. Tens ideia de quantas vezes te

tive de ouvir uma e outra vez a dizer o mesmo?”
“Eu disse isso?” - Sentiu o seu sangue gelar perante as palavras de

Kirishima.

Merda! Quanto é que ele tinha dito? Seria um grande problema se tivesse

falado sobre o Takano ou Onodera.

“A sério que não te lembras de nada? Foste um incómodo...dizendo
coisas como “eu podia-o fazer muito mais feliz que esse tipo, não
pensas o mesmo?”...mas não te preocupes, não disseste o nome.”
“Não o fiz!?” - Foi patético como ele se agarrou a essas confortantes

palavras de Kirishima.

Talvez parecesse algo desesperado, já que Kirishima suspirou enquanto o

observava Yokozawa fixamente.

“Não tens de perguntar-me isso como uma cara tão trágica. Jamais
disseste quem era o sujeito...mas, vendo como estás exaltado, posso

presumir que é alguém que trabalha na editora?”

“Isso...não é verdade.” - Sentiu um calafrio perante a forte dedução,
mas não mostrou nenhuma expressão, perante a mentira que tinha
acabado de dizer. Ficou contente da sua “poker face” neste momento.
“Mas, era um homem, certo? A pessoa por quem estavas apaixonado,

todo este tempo.”

“Isso é...” – não conseguia lembrar-se o quando tinha dito na noite anterior,
mas dado a confiança com que Kirishima falava, era improvável que lhe

estivesse a perguntar apenas por suposições.

“Isto não é um desses livros, que a Sapphire lança. Por isso, não me
digas “Ah a pessoa, por quem me apaixonei ~casualmente~ calhou de ser
um homem”, não há maneira de que tivesses sentimentos românticos por
outro homem, se não houvesse algo diferente desde começo. Se não és

gay, não te preocuparias com isso.”

Vendo a maneira como Kirishima sacudia os ombros, ao reprimir o seu riso
de gozo...Yokozawa inconscientemente aumentou a sua voz.
“Quem disse, que o fiz? E...porque raios estamos a falar de mim? Eu

fiz-te uma pergunta!”

Embora não quisesse estar preocupado com isso, o facto de não se recordar
de nada, colocava-o numa má posição. Se esta aventura de facto fosse
realidade, morreria de vergonha. E já tinha entendido completamente que
estava a ser envolvido numa brincadeira “barata”, mas de alguma forma não
conseguia controlar-se enquanto falava com Kirishima...deixando-se que as

suas emoções levassem a melhor.

“Eu não tinha notado que querias saber tanto sobre mim. Actualmente
eu estou bem desta maneira, gosto de pessoas de carácter forte

independentemente do género.”

Para ele, parece que todo o ocorrido não era um grande problema, o que
deixava Yokozawa sem saber se era verdade ou ficção.

“Tens a certeza que não gostas de homens? Tu provavelmente serias um

jogador numa escola para rapazes.”

“Mas o que...” – Yokozawa sentia-se humilhado. Parece como se lhe tivessem
dito que qualquer homem, para ele lhe dava. Mas entendeu que se
aumentasse a sua voz e deixasse sair as suas emoções, o mais provável é que
fosse ignorado. No entanto quis replicar, ao que respondeu sarcasticamente:
“E sobre ti? Qualquer um bastaria? És muito baixo, para te

aproveitares de alguém bêbado.”

“Do que é que estás a falar? Tu eras o único que me suplicavas para

não te deixar sozinho.”
“Não há maneira de eu ter dito isso!”

Perante a réplica de Yokozawa, Kirishima respondeu de maneira suave...

“Realmente podes dizer isso, quando nem se quer consegues lembrar-
te? Se estás tão seguro de que não se passou nada, tenta buscar mais

no meio das tuas recordações e depois fala.”

“.........”

Interrompeu as palavras de Yokozawa, colocando um dedo debaixo do seu
queixo, forçando-o a olhar para cima. Kirishima disse num tom de voz frio.
“Amo mexer com rapazes orgulhosos como tu, e fazê-los ver que não

estão assim tão certos.”

“Pára de brincar! Não te aches em demasia!”

Yokozawa tomado de cólera, tentou empurrar Kirishima, e tentou agarrá-lo.
Mas antes que os seus dedos encontrassem o pescoço dele, o seu braço foi

puxado e foi empurrado de caras para a cama.
“Temo que não posso perdoar esse tipo de violência.”







“Ouch-ouch ouch ouch, raios! D-deixa-me ír!” – Queixou-se de dor pela
maneira brusca como Kirishima o agarrou. Nunca imaginou que poderia ser
imobilizado tão facilmente. No entanto, quanto mais lutava, mais dor sentia.
“Não deves subestimar as pessoas, não achas? Nunca sabes, os truques

que podem ter na manga.”

“Não necessito do teu discurso! Solta-me já!” – Tendo em conta, o
complexo movimento, esse tipo provavelmente praticava artes marciais,
mas Yokozawa, não se importava realmente com isso no momento.
Enquanto lutava impacientemente mesmo com dor...Kirishima libertou-o.
“Ao que parece o “urso selvagem” do departamento de vendas, é apenas
aparência, pois na realidade não morde, eh? Estás muito longe de me

puderes derrubar.”

“Raios...” – voltando a sentar-se, Yokozawa começou a massajar as partes
doloridas e olhou fixamente para Kirishima em jeito de réplica, e este

observava-o com as mãos colocadas na cintura.

Ficava esbelto com a roupa que usava, e resultava dar para ver o seu óbvio
bom físico. O corpo por debaixo do seu fato era forte e duro, sem nenhum
sinal de gordura, e a sua roupa ressaltava inteligentemente a sua figura. Ír
atrás desse sujeito que o superava tanto em palavras, como em corpo...era
certamente cavar a sua própria sepultura. Por isso limitou-se a sentar

enquanto tremia de humilhação.

“Além disso, tenho que dizer que o exterior não é o mais importante.
Por isso não tentes jogar sujo. Isso aplica-se tanto a homens como a

mulheres.”
“Huh?”

“Estou a dizer, que o interior é que conta. Ah e é verdade o teu fato
está ali.” – Disse Kirishima quando tocou na porta do armário.
“Devias aproveitar e dormir até ires. É provável que a tua cabeça ainda

esteja confusa com o álcool, não achas?”

Ele tinha tido o incómodo de arrumar o fato de Yokozawa...o que foi um

pequeno gesto de amabilidade.

“O que estás a dizer?”

“Vou para minha casa. Eu paguei o quarto, por isso o único que tens de

fazer é que quando saíres, entregares a chave.”

Sair juntos, seria estranho, para não dizer algo pior. Por isso Yokozawa,
sentiu-se com um pouco mais de sorte, por Kirishima ír primeiro. Deixava-o
agoniado a ideia de se dirigirem juntos á recepção. Mas nesse momento uma

questão invadiu a sua recente calma:

“Ei, espera um momento. Então e a conta de ontem?” – Yokozawa não se
lembrava de sair do bar, ou de ter pago. Mas visto que estava ali, significava

que a conta tinha sido liquidada.

“Não é óbvio? Eu paguei. Estavas completamente bêbado nesse momento,
tanto que nem sequer podias caminhar em linha recta. Não foi fácil

meter esse teu rabo grande dentro do táxi.”
“Então, talvez, apenas... devias ter-me deixado sozinho.”
Se o tivesse feito, Yokozawa não teria de escutar as suas queixas e nada se
teria passado em primeiro lugar. Deu-se conta de que pensar nisso, não
serviria de nada, mas não podia deixar de o lamentar.

“Não é como se tivesse tido outra opção, sabes? Eu gosto daquele bar,
por isso, ter-me-ia enfurecido se me expulsassem dele, porque tu

estavas feito um asco.”
“Oh, bem, então peço desculpa.”

Ao ouvir essa monótona desculpa, Kirishima puxou a sua carteira e mostrou-
lho um recibo com um extracto bastante extenso.

“Paga-me a tua parte da conta.”

“Era isso que ía fazer...por acaso achas que quero dever-te al-... Que
raio se passa com este valor!?” – Um número maior do que podia imaginar
estava alinhado, na parte inferior do recibo, que tirou das mãos de Kirishima.
Era uma quantidade muito maior do que quando costumava beber. Havia
bebido mais numa noite, do que bebia normalmente num mês.

Ao notar que a cara de Yokozawa tinha ficado pálida, Kirishima aproveitou a

oportunidade para lhe explicar a enorme quantia.

“Pediste justamente as bebidas mais caras, sabes? É por isso que te

disse para parares.”
“.........”

No entanto Yokozawa queria desesperadamente perguntar-lhe, porque não
tentou ainda mais pará-lo...mas percebeu que não havia maneira de Kirishima
o fazer. E ainda que tivesse tentado, Yokozawa não o teria ouvido.
“Esquece as aparências, vamos dividir a conta de forma igual. Ganho

mais do que tu, de qualquer das formas.”

“Não necessito da tua compaixão! Vou pagar tudo o que pedi!” – A
política de Yokozawa, era cuidar de si mesmo, sem ajuda, mesmo que
isso requeresse um pouco mais de trabalho. Mas, para desgraça,
Kirishima viu através dele e sorriu ligeiramente.

“Deixa de ser orgulhoso! Tu ficaste pálido ao ver o recibo. Então, sê

um bom menino e faz o que digo.”

“Tu...”

Foi humilhante que esse tipo, tivesse visto através dele, mas sinceramente a
sua carteira iria ficar bem debilitada. No entanto, queria acabar com a
divida da maneira adequada. Se eles fossem próximos, podia resolver-se
numa seguinte ocasião em que se encontrassem, mas a relação com Kirishima
nunca se tinha estendido além do facto de trabalharem na mesma editora.
Desafortunadamente, ele não tinha dinheiro suficiente para pagar a sua
dívida apenas de uma vez. Por isso, não tinha opção senão dever a Kirishima.
“Apenas espera até ao dia de pagamento, pode ser? Uma vez que tenha

o dinheiro, com certeza te darei.”

“Já te disse que a metade está bem, certo? Queres tanto assim, não

me deveres nada?”

“Eu apenas não quero dar trabalho.”

“Entendo...bem, é bom que tenhas um forte sentido de responsabilidade,
por isso acho que vou aceitar a tua oferta. Ah... estava-me a esquecer
de mais uma coisa...tu vais trabalhar como meu servo por um tempo.”

“Desculpa?”

Yokozawa foi incapaz de seguir a brusca mudança na conversa e pestanejou
muitas vezes. Ao ver a sua expressão perplexa, Kirishima explicou
lentamente como se estivesse a dar instruções de trabalho.
“Estou-te a dizer, que de momento, não podes ír contra nada do que te

diga.”

“E porque é que eu devia fazer exactamente isso?” – ele não podia
entender uma palavra do que esse homem estava a dizer. Tomando em
contextualização a conversa que estavam a ter até a esse minuto, não

conseguia perceber o que daí poderia vir.

“Porque adquiriste um divida infernal...arrastando-me para o teu “festim
de bebidas” e tendo de ouvir as tuas besteiras, fazendo-me pagar a
tua conta e ainda tendo de cuidar de ti bêbado...Só isso já é o
bastante.” – Sem espaço para ripostar, Yokozawa não pode fazer mais nada

a não ser manter-se sentado.

“Além disso, seguramente não quererás que mostre aquelas embaraçosas

fotos, certo?”
“Fotos embaraçosas...?

Com essas palavras era impossível compreender que tipo de fotos eram e o
porquê de serem vergonhosas, mas ainda assim, Yokozawa teve um calafrio

pela espinha acima.

“És muito lento...são as fotos que tirei na noite passada, é claro.”

“Qu-quando as tiraste?”

“Tenho a certeza que podes chegar lá, por ti mesmo. Trabalhas numa

editora, por isso tenta imaginar um pouco.”

“Pára de brincar! Apaga-as, agora!”

Saltou da cama e agarrou o telemóvel que Kirishima tinha na sua mão,
tentado tirar-lho, mas Kirishima suavemente colocou-se do outro lado

fazendo com que este parecesse ridículo.

“Porque raios, faria algo inútil, como isso? Se queres que as apague,

então apenas deves fazer o que eu digo sem te queixares. Vou apaga-
las quando me cansar de brincar ao mestre e servo contigo.”

“No que raios estás a pensar...?”

Nunca poderia suspeitar que alguém que tem um trabalho como editor-chefe

desceria ao nível de chantagear alguém dessa maneira.

“Quem sabe...? Achas mesmo que irei revelar as minhas intenções com
as tuas perguntas? Bem, vou embora...diverte-te a sonhar com o quão

vergonhoso estavas.”
“Esp-...espera! Ei!!”

Mas Kirishima desapareceu, deixando-o só com essas palavras de gozo.
Yokozawa não pode, nem sequer segui-lo, já que continuava despido.

“Isto é absolutamente horrível”

Yokozawa suspirou suavemente, ficando sentado na cama apenas com a sua

roupa interior.

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A tempestade da noite anterior parecia agora ter acalmado. O céu depois do
temporal, estava azul claro...e num irónico contraste com o céu limpo, o
abdómen de Yokozawa contorcia-se com náuseas, devido á ressaca.
Kirishima tinha-lhe dito para dormir até ter de ír embora, mas ele não era
assim tão insensível, para conseguir dormir nessas condições. Tomou banho
para se livrar um pouco da fadiga...e apenas uma hora depois de Kirishima

ter ido, Yokozawa saía também.

O fato que encontrou no armário estava muito limpo, por alguma razão. Mas
não sabia o que as pessoas do escritório pensariam se, se apresentasse no
trabalho com a mesma roupa do dia anterior. E dando-se conta de que tinha

de alimentar o seu gato, decidiu ír ao seu apartamento, antes de ír para

editora.

Pelo caminho, parou numa farmácia para comprar uma bebida energética, e
enquanto lia a embalagem, percebeu que demoraria um pouco para fazer

efeito.
“Atchim!”

O homem que caminhava á sua frente já estava a espirrar há um tempo.
Será por causa do frio? Talvez a razão pela qual se sentia como uma merda,
não era por causa do álcool, mas sim porque se começava a constipar. Por
essa razão, decidiu que beberia um pouco de antifebril que tinha na sua
secretária. Então casualmente colocou as suas mãos no elevador para evitar

que este fechasse.
“Espera, eu também vou subir!”
“Ah...B-bom dia...”

A pessoa que subiu, não era nada mais nada menos que o novato do
departamento de edição da Esmerald, Onodera Ritsu. Era a pessoa que ele
menos queria ver. Yokozawa fez uma careta e olhou para a frente.
“Ah, és tu. Não me faças ver pessoas, que não quero ver logo de

manhãzinha.”
“Desculpe...”

É claro, que era provável que Onodera também não o quisesse ver, já que não
é um prazer estar diante de um rival no amor. Incapaz de suportar o silêncio

entre eles, Yokozawa quebra-o, por vontade própria.

“Estás muito cedo aqui, para um editor. Por acaso és lento a trabalhar?”
Mas Onodera não respondeu ao sarcasmo com o seu usual entusiasmo.
“Não é isso. É que apenas tenho de entregar uma proposta de projecto
para o volume seguinte. E pensei que fazer o quanto antes, era melhor...”

“Sabes, não tens de ser tão entusiasta em um trabalho que claramente
não gostas. Não deverias escrever uma solicitação para te transferires

em primeiro lugar?”

Isso não era sarcasmo nem brincadeira, pois se ele realmente sentia que
odiava o seu trabalho, então não tinha de continuar com ele.
Nem todas as pessoas podem fazer o que gostam para viver, isso é verdade,
mas ainda assim era possível encontrar alento e significado na sua profissão.
Já não eram crianças, por isso era impossível mudar o que sentia pelo
trabalho se não conseguia encontrar-se a si mesmo e por conseguinte sentir

o mesmo que os companheiros.

“Ah-hmm...Eu realmente sinto...que quero tentar ser um editor de manga!”
Onodera disse isso, interrompendo Yokozawa, fazendo com que a respiração

deste se tornasse pesada.

“Sei que ainda tenho muito de aprender, por isso ficaria agradecido se
me pudesses ensinar. A-ainda que para ser honesto, eu não me dê bem
contigo. Ainda assim, Takano-san disse que era uma pessoa realmente

capaz e alguém que é bom no que faz.”

Pensar que o dia em que Onodera dissesse algo como isso, havia
chegado...certamente um milagre iria ocorrer.

Quando ele tinha ingressado na editora, este menosprezava a divisão de
manga, mas ao que parece, ter-se tornado membro da Esmerald, fez mudar
a sua maneira de pensar. E é provável que seja tudo graças á influência de

Takano.

A dor que andava a evitar, voltou a atravessar o seu peito. A ferida no seu
coração que estava a começar a sarar começou a doer intensamente. Em
esforço para esconder a sua dor, disse arrogantemente,

“Oh, ainda é demasiado cedo para alguém como tu, me pedir conselhos.”
Onodera deu um pequeno suspiro e Yokozawa, repentinamente sentiu-se mal
ao dar-se conta de que tinha falado da mesma maneira que Kirishima. Talvez
o tivesse feito, porque não se sentia bem, ao ter de ver a cara de Onodera,

e fez com que as suas palavras fossem ainda mais duras.
Ao perceber que não era prudente desanimá-lo, quando por fim ele estava
entusiasmado, suavizou as palavras para Onodera, que já se tinha afastado

dele.

“Bom, ainda que não queira, tenho de admitir que estás a fazer um bom

trabalho.”
“!!”

Onodera ficou claramente surpreendido perante as palavras de Yokozawa. O
elevador parou no terceiro andar, e as portas abriram-se suavemente. Olhou
para trás, para Onodera, ao sair do elevador. Apesar do departamento de
edição ficar no quarto andar, Onodera saiu em conjunto com ele.
“A proposta que fizeste estava boa, deves seguir adiante com ela.”

“Eh?”

“Mas se não fores capaz de fazê-lo, significa que apenas és um
lixo...Não sei se serás capaz de levar isto adiante, mas vou-te

ajudar...já que este é o meu trabalho.”
Os seus olhos abriram-se mais e inclinou-se nervosamente.
“Espero que possamos trabalhar juntos.”

“E uma coisa mais...”

Tinha que confirmar isto, pois se perdesse a oportunidade, não teria uma
outra em que pudessem conversar a sós de novo, e ele também não queria de

qualquer maneira.

Respirou profundamente e tentou fazer alcançar a sua voz o mais possível:

“Estás apaixonado pelo Masamune?”

“!!”

Takano tinha dito os seus verdadeiros sentimentos a Yokozawa no dia
anterior, fazendo-o saber que ele não tinha nenhuma chance. Mas não sabia
como se sentia o Onodera. Parece que tinha pelo menos um interesse fugaz,
mas tinha de saber se correspondia por completo aos sentimentos de

Takano.

Despois de um longo silêncio, quase doloroso, Onodera assentiu com o rosto

corado.

“Sim...”

Yokozawa fechou os seus olhos e pouco a pouco começou-os a abrir.
“Independentemente do que sintas, se o magoares, eu não duvidarei em

tirar-to. Apenas tem isso em mente.”

Deixando Onodera pasmado, retirou-se e foi para o departamento de vendas.
Percebeu que as portas do elevador fechavam-se novamente atrás de si.
Estando sozinho naquele andar, deixou-se cair na cadeira. Levantou a palma

da mão e passou-a á sua frente, murmurando:
“Que raios, é que estou a fazer...?”

Aquilo não era uma declaração de guerra, de todo...era apenas para dar um
pequeno empurrão ao Onodera. Se realmente tivesse a intenção de
recuperar Takano, essas palavras apenas se voltariam contra ele.
Talvez tivesse dado “uma mão”, porque sentiu que Onodera era
verdadeiramente sério. As dúvidas e hesitações tinham desaparecido por

completo.

Algo se tinha passado entre eles na noite anterior, isso era praticamente

certo.

“Talvez alguém assim combine mais com ele.”

Um tipo que tende a pensar em demasia nas coisas e se deprime além da
normalidade, sair com alguém aparentemente fraco, mas com sentimentos

puros e honestos como Onodera...poderia funcionar.”

Ele apenas queria que Takano fosse feliz. Precisamente, porque sabia o mau
bocado que este tinha passado. Yokozawa desejava isso mais do que ninguém.
Ainda que quisesse ser a pessoa que o fizesse feliz, se o Takano não sentia o

mesmo, não podia fazer nada.
“É hora de trabalhar.”

Não podia continuar a lamentar-se para sempre. Se, se enterrasse em

trabalho, talvez a sua dor começasse a desvanecer.
Inclinou-se e a sua cadeira chiou, abriu o seu computador e ligou-o.

Nenhum dos colegas queria aproximar-se de Yokozawa mais do que
necessário, tendo em conta que estava a trabalhar como um louco, desde
muito cedo. No entanto, como não tinha vontade de conversar, achou que
assim era melhor...e depois de ter terminado a sua saída, quando regressou
ao escritório, envolveu-se na papelada que lhe restava para tratar.

“Maldição...!”

Cada vez que movia os seus braços, a sua camisa apertava-se fortemente,
lembrando-o do que aconteceu nessa manhã e que só queria esquecer. Ele
não podia queixar-se a ninguém que tinha visto o seu superior de robe e

tinha sido deixado sozinho a angustiar.

Numa tentativa de tirar essas recordações da sua cabeça, centrou-se no
seu trabalho, cuidando de cada um dos assuntos. Acabou de tratar da
papelada para a reunião do fim-de-semana e teve que incluir outra tiragem
de cópias para o lançamento de um novo volume de manga, devido á escassez

que tinha sido na tiragem anterior.

“Tudo o que resta, é a proposta deste projecto, eh?”
Yokozawa a nível de departamento de negociações, em geral, promovia as
vendas de mangas...e o mais importante era o projecto Za kan. Não apenas
estava-se a planear converter num filme, como se teria de assegurar as
vendas deste volume e dos anteriores. A venda dos mangas é a
responsabilidade do Departamento de vendas.

Vai ser bastante dinheiro investido no filme, além disso com o aumento de

pessoal, significava o aumento de tarefas e de custos.

Se não pudessem obter mais dinheiro do que tinham gasto, não tinha sentido
toda esta propaganda feita. Se queres que a série se mantenha popular

entre os fans, tem que se saber ír renovando-a.

Independentemente de se a série era boa ou não, no departamento de
vendas, ele sempre foi o que vendeu mais! Para que isso acontecesse ele
trabalhou como “um cão”, dia e noite. E mesmo que tivesse pouco tempo para

descansar, Yokozawa sentia-se satisfeito.

Ele tinha escolhido trabalhar numa editora, pelo facto de amar livros. Ainda
que não quisesse participar na elaboração deles, sendo um editor ou
autor...no inicio tinha intenções de trabalhar para uma empresa comercial.
No entanto, um dia viu um programa de televisão aonde descrevia o trabalho
num departamento de vendas e mudou os seus planos completamente.

Depois de tudo era difícil reunir-se com as pessoas...mas se ele tinha de lhes
vender coisas, que fosse algo que ele mesmo gostava...foi assim que ele viu.
Foi um impulso do momento, mas até agora, sentiu que foi a decisão correcta.
Sentia que o que estava a fazer, era um trabalho que valia a pena. E há o
facto de estar a trabalhar na Marukawa Shoten, que está cheia de
trabalhadores com uma personalidade única, que fazia com que tudo fosse

mais fácil, mesmo para uma pessoa como ele.

“Hm?”

Enquanto elaborava a papelada de cada departamento, Yokozawa notou que
não dispunha da informação referente aos materiais usados na campanha
que começaria no mês seguinte. O departamento de vendas era responsável
por reunir e ordenar todos os papéis referentes á compra de artigos,
cartazes e outras coisas, mas sem as informações das edições, ordenar

seria impossível.

Yokozawa chamou um homem, que estava próximo dele. Um subordinado que

acabava de atender o telefone:

“Ei, Henmi! Já obtivemos a informação sobre a compra de matériais das

pessoas da Japun?”

“Não, ainda não. Supunha-se que teriam de a trazer durante esta

semana, mas...”

“Esta semana? Por acaso já se deram conta de que é Sexta-feira? Não
me digas que planeias enviar no Domingo á noite ou algo assim? Vai lá e
pressiona-os. Uma conversa ao telefone, não bastará.”

“S-sim senhor!”

Henmi rapidamente se levantou da sua cadeira perante a reprimenda de
Yokozawa. Talvez por estar com muito trabalho, Yokozawa foi mais severo

do que o habitual.

Reflexionando no que poderia ser de apoio a Onodera daqui em diante,
Yokozawa acabou por observar em redor e surpreendeu-se ao avistar

Kirishima de pé em frente do seu escritório.

“Geh!”

Henmi que ía a caminho do escritório da Japun, entrou em pânico e correu a

saudar Kirishima.

“Kirishima-san! Que surpresa! É raro vir ao departamento de vendas.

Agora mesmo ía vê-lo!”

Os outros ao redor, pareciam igualmente surpreendidos de que o editor-
chefe tivesse ido este caminho todo até ao departamento de vendas.

“Apenas vim trazer os dados sobre os materiais. Lamento ter demorado
tanto. Tínhamos a intenção de os trazer a tempo, mas ficaram
enterrados entre alguns documentos, e nós não os tínhamos encontrado

até agora...”

Entregou um CD com dados a Henmi.

“Obrigado, e lamentamos fazer com que o editor-chefe, viesse até cá.”

“Nah, estava em caminho, de qualquer das maneiras.”

“No seu caminho?”

Henmi escutava as palavras de Kirishima claramente confuso. Não era de
surpreender, já que havia poucas probabilidades de entender as verdadeiras

intenções dele.

Yokozawa tinha um mau pressentimento e voltou-se fingindo estar a
observar o seu computador. Mas naturalmente isso não serviria de nada, e

Kirishima percebeu facilmente.
“Ah, estás aqui. Yokozawa, vamos beber.”

“!?”

Todos os do departamento começaram a cochichar perante o convite de
Kirishima, incapazes de compreender, o porquê deste ter vindo até ali,
apenas para convidar Yokozawa para bebe. Com quem claramente não tinha
nenhuma grande relação fora do trabalho, com efeito tinham tido já
discutido acesamente em algumas reuniões, por isso pressupunham que eles

não gostavam muito um do outro.

Dirigindo-se até á secretária de Yokozawa, repetiu o convite uma vez mais.

“Não me estás a ouvir? Disse-te para irmos beber.”

“Ainda tenho trabalho para fazer.”

Fez uma pequena tentativa de resistência, mas Kirishima apenas gozou.
“Huh? Não pode ser que tu, de entre todas a pessoas, não tenhas
terminado...que raios, estiveste a fazer o dia todo?”
“Cala-te! É um trabalho da próxima semana!”

Deixou rapidamente sair aquelas palavras da sua boca, e deu-se logo conta
que tinha caído na artimanha. A expressão sorridente de Kirishima, tirou-o

do sério.

“Então faz na próxima semana. Estas pessoas poderão trabalhar melhor

sem um tirano como tu a rondar por aqui, não achas?”
Henmi, que os estava a observar com grande interesse, respondeu

nervosamente.
“Eh? Ah...bom...isso é...”

De facto, notou que ele não negou directamente, o que significava que isso

era o que pensavam de verdade.

Quando Yokozawa olhou fixamente para Henmi, Kirishima adiantou-se e

bagunçou o seu cabelo.
“Que raios estás a fazer?”

“Não faças os teus subordinados passarem um mau bocado. Por causa
dessa cara aterrorizante que estás a fazer. Agora depressa, pega nas

tuas coisas e vamos sair daqui.”
“E porque teria de ír contigo?”

Farto de jogar aquele jogo na frente de todos, sem pensar deixou escapar
os seus verdadeiros pensamentos. Mas Kirishima manteve-se inalterável,
mesmo perante a desagradável expressão que fazia Yokozawa.
“Não és demasiado jovem, para estar senil? Não me digas que te

esqueceste daquilo desta manh-...”

Yokozawa empurrou a sua cadeira ruidosamente, numa tentativa de
interromper as palavras de Kirishima. Nunca pensou que este o ameaçaria no

escritório, de entre todos os lugares.

Yokozawa interrompeu-o antes que ele falasse algo estúpido e aumentou a

voz e disse:

“Ah! Oh, isso, é verdade! Supunha-se que tínhamos de ter uma conversa

sobre a campanha!”

“Exacto! Fico feliz de que te lembres.”

Yokozawa enfureceu perante o descarado sorriso daquele homem, mas se
não fosse, não sabia que tipos de rumores podiam começar.

“Bom, então vamos!”

Nunca havia feito expressões como aquelas, mesmo em negociações. Se
soubesse que coisas assim aconteceriam, talvez tivesse trabalhado melhor

para conseguir fazer um sorriso fingido.”

Yokozawa seguiu Kirishima e ambos saíram da editora, fugindo dos curiosos

olhares dos colegas de trabalho.

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“Bem...delicioso, pois é?”
“Sim, é...”

Bebericando um pouco de Hokuriku sake* que Kirishima lhe tinha oferecido,
teve que admitir que era bastante bom, que fazia até os olhos saltarem.
O aroma a flores que os rodeava, e a doçura que se propagava na sua língua
era de primeira categoria e esse gosto fazia-o sentir-se renovado. Era
frustrante estar de acordo, mas a questão de ser delicioso era um facto.

Depois de disfrutarem de uma ligeira refeição, Kirishima levou-o a um bar

especializado em sake.

Aquele lugar tinha uma atmosfera diferente dos sítios que costumava ír com
o departamento de vendas ou com os clientes. Mesmo a taça com petiscos
que tinham recebido era de óptima qualidade e os empregados eram muito
corteses...era muito distinto do que estava acostumado de uma cadeia de
restaurantes, era um sítio muito comodo para passar o tempo.
"Vais fazer 30 anos brevemente, por isso tenta beber adequadamente

enquanto podes."

"Pois, fica a saber que eu não costumo beber assim."

"Eh? A sério?"

"Sim! E de qualquer modo, ainda faltam dois longos anos para eu fazer

30."

Achou que Kirishima não acreditaria, por isso disse num tom forte, olhando
rapidamente em redor. Graças a Deus estavam sentados suficientemente no

fundo, e parece que nenhum outro cliente tinha notado.
"Esses dois anos, vão passar a voar."

"Cala-te."

Kirishima, bebeu um gole de sake alegremente, disfrutando de tirar do juízo,
o Yokozawa. Ao notar que era inútil discutir com Kirishima, Yokozawa olhou
para a frente novamente e levou o copo aos lábios. Sentiu o aroma doce na

sua boca e observou o bar.

Os clientes, pareciam ser principalmente homens mais velhos de que
Yokozawa, ainda que houvessem mulheres solteiras também. Com uma
indirecta e aconchegante iluminação, o bar tinha um ambiente amenizante
que resultava ser muito acolhedor. Antes ele evitava esse tipo de bares,
pelos seus preços altos, já que não lhe convinha. Mas, provavelmente não lhe
importaria voltar a um lugar com este ambiente. Perguntou-se se Kirishima

iria a ele usualmente.

"Então, divertes-te a arrastar-me para este tipo de lugares?"

"Eu realmente queria ver a tua cara mal-humorada."
"Tens realmente uma personalidade distorcida, sabias?"
"Na realidade, eu recebo muitos elogios acerca da minha

personalidade."

Yokozawa ficava inquieto cada vez que via a maneira com os lábios de

Kirishima se levantavam, cada vez que sorria.

Falou com malicia, fazendo tudo o possível para evitar ser absorvido pela
atmosfera que rodeava Kirishima, quem parecia tratar intencionalmente de

o fazer mostrar uma cara de irritado.

"Tenho a certeza que os teus subordinados têm dificuldade em
trabalhar com uma pessoa como tu, como chefe!”

"Não há forma de que eu faça algo cruel aos meus pequenos e fofos
subordinados, seguramente estão bem mais felizes que os pobres

desgraçados que estão sob o teu comando."

“Isso não é...!”

...verdade! Tentava ele dizer, mas recordou-se da reacção de Henmi. A sua
atitude estava a sugar a vida dos que o rodeavam, e isso não era um bom

caminho.

Nem todos eram tão competitivos. Havia trabalhadores que diziam o que
pensavam, como havia outros que não, e sofriam dessa tensão.
“O teu pessoal está a fazer um bom trabalho; deixa que saibam disso
de vez em quando. Há uma grande diferença entre fazer isso ou dizer,

“bom trabalho”, “obrigado”.”
“Por acaso, pensas que não o sei?”

“Sabes, mas mesmo assim não o fazes, certo? Não vai tardar, em que
o único que conseguirá suportar esse comportamento de merda Tsundere

teu, seja a pessoa que te ama.”
“A quem estás a chamar de Tsundere?”
“Admito que não tens nada de “Dere”.

“O que raio é que se supõe que signifique isso?”

Perdeu rapidamente o controle sobre a conversa, e Yokozawa voltou-se e
olhou para o outro lado, fingindo estar distraído enquanto tomava a sua
bebida. O sabor era excelente e deslizava suavemente pela sua garganta. Se

não tinha cuidado, podia beber demasiado.

Kirishima olhou fixamente para ele, que observava amargamente o copo

vazio.

“Queres um pouco de água?”

“Vou ficar bem, de qualquer forma, não estou a beber com a mesma

velocidade que estava ontem.”

Deveria ficar bem, se apenas o deixasse nesse momento. Ele não era uma
pessoa fraca na bebida, apenas que na outra noite tinha bebido muito mais

do que o habitual.

“De qualquer forma, porque és tão terrivelmente persistente comigo?”
Até agora, tinha estado distraído, ao estar irritado com as picardias do
Kirishima, mas quando parou para pensar nisso, era muito estranho.
Ele devia ter colegas da mesma idade, por isso não fazia sentido para o
convidar para sair assim. E ainda para mais, o bêbado que devia ter estado
na noite anterior. Ele não tinha nenhuma necessidade de fazer algum
movimento com um homem que era conhecido pela maior parte da empresa
como “urso selvagem”, sem dúvida que Kirishima podia ter qualquer um que

quisesse.

Não podia entender a razão pela qual sairia com alguém que não tinha,
absolutamente nada de encanto, talvez apenas tenha vindo com ele, porque
se encontraram na noite anterior, e ele tinha visto o lado mais fraco dele.
“Não te disse? Gosto de brincar com rapazes orgulhosos como tu.”
“Continuas a dizer estupidezes, não? Se queres brincar com rapazes
orgulhosos, a nossa empresa caso não tenhas notado. Porque tenho que

ser eu? Bem, não sei...talvez...alguém como o Takano...”

Sem pensar, acabou por atingir a ferida com as suas próprias palavras. Não
havia forma, em que ele não suspeitasse de alguma coisa, já que de todos,

tinha logo elegido esse nome.

Rezando para que Kirishima não se desse conta, da forma como tremia por

dentro, ele observou-o vacilante.

“Takano? Não. Ele não é bom. Pode ser orgulhoso, mas é mais sensível
do que parece, acho que poderia afundá-lo com um golpe só.
Provavelmente não seria um grande desafio, se realmente fosse atrás

dele.”
“......”

Teve que admitir que estava impressionado, com o bom que era para julgar o
carácter de alguém. Tal como ele disse, Takano tinha um lado sensível. Podia
exteriormente mostrar outra coisa, mas uma vez que se afundava, era por
um longo tempo, e não era bom a proteger-se a si mesmo. Mas nesse sentido,
se ele deixasse que se aproximassem dele, ele abriria o seu coração sem se
importar a quem. Ainda que isso fosse muito mais evidente quando andavam
na universidade, ao entrar no mundo do trabalho e ao crescer, parecia ter
suavizado esse lado. Mas a sua essência, não havia mudado minimamente.
“Não vou atrás de novatos que se acham os melhores.”
“E-ei, sabes que ele e eu temos a mesma idade, certo?”
Ele sabia que parecia mais velho do que era, mas se Takano era um novato,
então seguramente ele também o era. Por isso, não estava de acordo com o

Kirishima.

“Estou a falar do interior. Ainda que eu ache que ele é muito capaz,
por ter reerguido de novo a Esmerald, e isso foi devido a ele ter essa
sensibilidade. Mas tu tens os teus próprios pontos positivos, não deves

ficar afectado apenas porque têm a mesma idade.”

“Eu não estou, afectado por isso!”

Ele parecia ter entendido que Yokozawa via Takano como um rival. Ainda que
fosse melhor, do que se desse conta de que Takano era a pessoa que o tinha

rejeitado...ainda se sentia irritado por isso.

“A sério? Bem, tenho de admitir que mesmo tu, ainda és um pouco
novato. Mas eu não me importaria de te ensinar tudo, desde a cabeça

até aos pés se o desejares.”

“Não tens apenas uma personalidade distorcida, os teus hobby's

também o são.”

“Eu acho que sou bom a analisar a personalidade de alguém.”

“Olha quem fala.”

Ainda que não se quisesse deixar ír abaixo, não podia pensar, o que passaria
na mente deste tipo para que o considerasse interessante. Se realmente
tinha a intenção de arrastar alguém como ele, não havia sido melhor
encontrar um subordinado submisso do seu próprio departamento?
“Já sabes, para ser um tipo que geralmente tenha uma atitude tão
impotente, com certeza não tens uma grande opinião sobre ti mesmo. És
bom no teu trabalho e és atraente. Deverias ter um pouco mais de

confiança em ti mesmo, não acha?
“Q-que raios é isso? Estás a tentar enojar-me?”

Ficou um pouco nervoso ao ser elogiado tão repentinamente. Não podia
deixar de sentir que os elogios saíam dos lábios de Kirishima apenas eram

um gracejo.

“Vejo, que não estás habituado a que te elogiem, não tens de ficar tão

corado.”
“Não estou corado!”

“Hm? Não és muito convincente com essa cara tão vermelha.”
“Deixa de dizer o que te vem á cabeça! De todas as formas, como
podes saber se estou corado ou não, num bar tão escuro como este?

“Apanhaste-me.”

Kirishima encolheu os ombros em resposta. Yokozawa suspirou cansado, já
que de alguma maneira, parecia estar a disfrutar. Nunca tinha interagido

muito fora do trabalho, mas nunca pensou que Kirishima tinha uma

personalidade tão extrovertida.

Dentro da Marukawa Shoten, era conhecido como um criador de grande
êxitos, depois de tudo, havia produzido mais êxitos que qualquer outra na
empresa, e Yokozawa sempre havia imaginado que era alguém viciado no

trabalho...mas na realidade era muito diferente.

“Vou á casa de banho.”

“Não foste já? Se calhar és mais velho do que pensas.”

“Cala-te!”

Kirishima despediu-se com um leve sorriso. E com uma sensação de mal-
estar Yokozawa, dirigiu-se á casa de banho que se situava no interior do bar.

Pôs-se de pé, diante do limpo espelho, que não tinha nenhuma mancha e

suspirou profundamente.

Ele perdia as “estribeiras” com muita rapidez, quando se tratava de
Kirishima. Sabia que não tinha bebido muito nessa noite, mas por alguma
razão não podia manter a calma ao lado daquele sujeito.

Talvez porque fosse alguém que tinha visto o seu lado mais fraco e porque a
sua presença o incomodava por si só, mas não sabia explicar. Sempre se
havia sentido inquieto sobre o Kirishima, mas como não passava muito tempo

com ele aparte das reuniões, apenas o ignorou.

Mas mesmo que não soubesse porque se sentia assim, ainda assim podia lidar
com ele. Tudo o que tinha de fazer era distanciar-se do tipo em questão. Se
pudesse fazer isso, podia fugir dessa constante irritação também.

“É mais fácil dizê-lo do que fazê-lo.”

Não era como se estivesse a fazer isto, de livre vontade, mas sim porque
Kirishima o obrigava. O que significava que apenas podia esperar que
Kirishima se fartasse de brincar com ele. Não importava como olhasse,
apenas seria isso...um oponente que lhe ultrapassava na idade e na posição na
empresa, era alguém a quem não poderia ganhar com palavras ou força
física...era inútil rebelar-se mais do que já tinha feito.

“Raios...!”

No final de tudo, não podia deixar de ficar irritado. Falando mal
entredentes, girou a torneira da água com toda a intensidade e lavou o seu
rosto vermelho. Pode sentir como pouco a pouco se tranquilizava graças á
água fria...Logo depois secou-se com um lenço que tinha no seu bolso.
Respirou profundamente, e finalmente saiu da casa de banho.
“As tuas mangas estão molhadas, sabes? Seca-te correctamente antes

de voltares. “
“Não me toques!”

Bateu na mão de Kirishima, limpando as mangas com o lenço que tinha no seu

bolso.

“Não tens de te exaltar tanto! Eu não mordo. Não estás a ser

demasiado sensível?”
“Não, não sou.”
“A sério?”

O sugestivo sorriso com que o brindou, fez-o por alguma razão afastar os
olhos do seu olhar e rosto, e puseram Yokozawa a pensar.
“Bom, vamos? Depois de tudo, não posso passar duas noites fora de

casa.”

Kirishima pegou na sua bolsa e deslizou lentamente da sua cadeira. Ao ver
isso, um empregado deslocou-se rapidamente com os casacos que tinham

marcado.

“Ah, espera! Vou pagar a conta!”

“Já paguei.”

“Eh? Ei espera um minuto! Não há nenhuma razão para que me trates

assim!”

“Vocês jovenzinhos, são mais fofos, quando se deixam ser tratados

assim, sabes?”

Kirishima atravessou a porta e pôs-se a andar sem olhar para trás.
Yokozawa chamou-o, discutindo em voz alta e seguindo-o.
“Não me trates como uma criança! Pelo menos vamos dividir pela
metade! Pagaste o hotel, também, certo? Não quero acumular dividas

contigo!”

“Mas agora mesmo, não tens dinheiro, certo? Não exijas tanto de ti!”

“Esse não é o problema!”

É verdade que não estava de todo seguro do dinheiro que trazia na carteira,

mas não iria permitir que Kirishima vencesse sem lutar.

“Bem...se estás tão decidido em pagar...suponho que terei de te deixar.”
Sentiu um grande alívio, quando finalmente ganhou uma disputa com

Kirishima.
“Bem, quanto é...?”

Enquanto tirava a sua carteira para comprovar quanto dinheiro tinha nela, a
sua gravata foi puxada e o seu corpo inclinou-se para a frente.




Abriu muito os olhos devido ao choque enquanto que uma língua empurrava
os seus lábios, e a pouco e pouco fez com que abrisse os seus dentes. Sentiu
o interior da sua boca ser explorada profundamente, o que fez com que
estremecesse, sendo incapaz de mover a sua própria língua e deixando-o
com dificuldade em respirar correctamente. Parecia que esse beijo
apaixonado não tinha fim e isso estava a deixá-lo louco.

“Nn...nnn!”

O beijo do Kirishima era incrivelmente bom, até ao ponto de sentir que
estava quase a perder os sentidos. Mesmo que quisesse empurra-lo para
longe, a sua vontade foi completamente paralisada e o seu corpo não
respondia, como se fosse obrigado a estar dessa maneira.
Um grupo de bêbados passava por ali, fazendo muito barulho, no entanto os

seus lábios permaneciam unidos.

“...Ha!”

Quando finalmente o beijo acabou, o seu corpo parecia fraco, como se
tivesse com paralisia e incapaz de se manter em pé, por conta própria.
Apoiou o seu corpo contra a parede, no qual estava o letreiro do bar, e

reclamou com os seus lábios ainda dormentes.
“Em que raios estás a pensar!? Num lugar como este...!”
Limpou com força os seus lábios ainda húmidos com a palma da sua mão, mas
não podia apagar a sensação que ainda tinha nos lábios e na língua.

Kirishima riu-se da cara vermelha de Yokozawa.

“Então, queres dizer, que se tivesse sido em outro lugar, estava tudo

bem?”

“Claro que não...! Não posso acreditar que tenhas utilizado um truque

sujo como esse!”

“Sujo? Não és muito convincente, sendo que nem sequer consegues
manter-te de pé como deve ser. És um homem adulto, por isso para de
choramingar como uma menininha. Não me digas que este foi o teu

primeiro beijo ou algo do género?”

“Quem disse i-...”

A cara de Yokozawa corou com este gracejo. Perante a ira e a humilhação,
seria uma vergonha se lhe tivesse roubado o primeiro beijo.

“...!”

“Ah, bom...sendo assim, vais apanhar o metro, certo? Não vás por
nenhum atalho, e apenas segue para casa, meu jovem!”
“Não necessito que me digas o que tenho de fazer!”
“Cada vez que consigo irritar-te desta maneira, me dá mais e mais
vontade de continuar, e tu não queres isso, certo?”

“Porquê?”

Ele sabia que Kirishima estava a brincar com ele, já que provavelmente ele
era o brinquedo perfeito para ele. Doeu-lhe admitir, mas cada vez que abria

a sua boca, apenas parecia um cão acabado.

“Bem, tem cuidado no caminho para casa...ah! E mais uma coisa!”

“E agora o que é?!
“Obrigado pela comida.”
“Eu vou-me vingar por isto.”

Igual a um vilão, ele cuspiu essas palavras, enquanto que Kirishima voltou-se
e caminhou deixando essas irritantes palavras, apenas com um sorriso

maroto.

Já não podia suportar mais isso, e perceber esse facto era bastante
vergonhoso. Tremeu de ira, quando se deu conta de novo, que aquele tipo
tinha visto novamente o seu lado fraco. Mas não teve mais opção do que

aceitar aquela humilhação.
“Vá para a merda, com tudo isto...!”

A palma da sua mão estava quente, já que tinha a tinha estado a apertar ...e
a aceleração do seu coração era provavelmente por causa da sua raiva...

Reprimindo a sua indignação, voltou-se e correu para longe.
Yokozawa no baii- parte 1 – cap. 1/Fim





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